14 de abril de 2015

EVENTOS DIA 15 DE ABRIL DE 1912


Havia paz e o mundo ganhava um novo sentido... Parece-me que o desastre que estava eminente não foi só o acontecimento que fez o mundo esfregar os olhos e acordar, mas também acordar para um novo começo! Para mim, o mundo de hoje acordou a 15 de Abril de 1912."

Jack Thayer, sobrevivente do Titanic.

23h:40min

Fleet vê, a menos de 500 metros, a massa escura de um enorme iceberg, elevando-se a quase 20m da superfície, e de pronto bate o sino três vezes. Apanha o telefone e espera que alguém atenda na sala de navegação. Moody atende e educadamente agradece, e comunica a Murdoch, que já acorre da asa da ponte. Na sala do leme, atrás da sala de navegação, o primeiro oficial ordena ao timoneiro Hichens que “carregue todo o leme a estibordo.” Já de volta à sala de navegação, gira a manivela do telégrafo, determinando à casa de máquinas parada dos motores e reversão a toda potência. Pelo sistema hidráulico, fecha todas as portas estanques. Deveria acionar previamente o respectivo alarme e esperar dez segundos para fechar. A precipitação o leva a fazer as duas coisas ao mesmo tempo, pois decorrem apenas 15 segundos entre o aviso do vigia e o fechamento das portas. Boxhall, que em seu alojamento ouviu o sino, larga a xícara de chá, levanta-se e dirige-se à sala de navegação. A proa começa a virar para bombordo. Vira dez graus, mas não basta: 37 segundos após o aviso do vigia, o Titanic colide em seu costado de estibordo, abaixo da linha d'água e três metros acima da quilha, com a montanha de gelo. Boxhall, a meio caminho da sala de navegação, sente o baque. Um ligeiro tremor sacode o navio e, durante dez segundos, um surdo rangido assusta quem ainda não dormiu ou desperta quem já o fez. Amassadas, as placas da carena têm as cabeças de seus rebites arrancadas e cedem em vários pontos. As fendas são de alguns centímetros ou escassos milímetros, mas permitem que os quatro primeiros compartimentos de colisão estejam abertos para o mar. Duas toneladas de gelo sujo se desprendem da grimpa do iceberg e tombam despedaçadas entre o castelo da proa e a ponte de comando, e também na seção de vante do convés A. O timoneiro Olliver, que se encontra perto da ponte, vê o iceberg passar. O cume ultrapassa o convés dos barcos.
23h:42min
O capitão deixa seu alojamento e chega à ponte. Murdoch avisa do iceberg e relata que mandou carregar a estibordo e reverter motores, mas o navio estava muito próximo e acaba por bater no iceberg. Pelo telégrafo, o capitão ordena à casa de máquinas meia-força à frente, mas logo contra-ordena: parar os motores. Manda Boxhall inspecionar os danos. Murdoch diz ao timoneiro Olliver que faça no livro de ocorrências o registro da colisão, ocorrida às 23h40min.
23h:45min
A tripulação do Californian vê as luzes de um navio parado.
23h:50min
O capitão ainda não sabe, mas nos primeiros dez minutos após o impacto, a água, na proa, avança quatro metros acima da linha d'água, e os primeiros quatro compartimentos de colisão são invadidos. O quarto é a sexta sala de caldeiras. Seu piso, em circunstâncias normais, encontra-se 150m acima da superfície oceânica, mas agora a água já alcança 250m em suas paredes internas. Apenas três tripulantes conseguem escapar. A sala do correio, no convés G, que deveria estar seis metros acima da superfície oceânica, já foi alcançada, e isto significa que a água ultrapassou a terceira antepara, invadindo a sexta sala de caldeiras. É feita a chamada para que os marujos de convés se posicionem ao lado dos botes salva-vidas que lhes correspondem. Em situações de emergência, cada um deles tem sua posição predeterminada.
23h:55min
Bride desperta e vai assumir seu posto. Na Sala Marconi, ouve de Phillips que o navio sofreu algum dano e talvez precise retomar a Belfast. O relato do carpinteiro também não satisfaz o capitão, que deseja informações precisas. Ele pede a Andrews que faça uma avaliação. Ismay com um roupão sobre o pijama chega à ponte. O capitão relata que bateram em um iceberg. Apressadamente, Ismay se retira.
0h:00min
Ismay conversa com o engenheiro Bell. Os problemas são sérios, diz o técnico, mas as bombas de esgoto vão manter a flutuação. Boxhall desce outra vez. Na sala do correio, já com meio metro de água, os agentes ainda tentam salvar a correspondência.
0h:05min
Andrews retoma com informações desoladoras. Os quatro primeiros compartimentos de colisão estão inundados, forçando a proa para baixo. Em breve a água ultrapassará a quarta antepara, passando ao quinto compartimento, e assim sucessivamente. O navio não foi construído para enfrentar danos de tal magnitude e o naufrágio ocorrerá em uma hora e meia, talvez duas. O capitão manda que os botes sejam descobertos e os passageiros convocados às áreas superiores externas, todos com coletes salva-vidas.
0h:10min
No Californian, o Terceiro Oficial Charles Groves, tenta contatar pela lâmpada Morse com o navio imóvel e iluminado. Não obtêm resposta. O Capitão Lord pede ao Segundo Oficial Herbert Stone, que observe. Ele ainda acha que não é o Titanic, mas um cargueiro. A maioria das caldeiras foi fechada e nuvens de vapor manam das válvulas de segurança no corpo das chaminés, exaurindo a pressão resultante da parada dos motores. O barulho é tamanho que dificulta a comunicação entre as pessoas no convés dos barcos. As caldeiras distantes da proa continuam em funcionamento, sob o comando do engenheiro Bell, para que acionem as bombas de esgoto e alimentem os geradores, assegurando energia para a iluminação e o serviço telegráfico.
0h:15min
O mecânico Ernest Gill que espairece na coberta do Californian, observa as luzes do navio parado. Ele julga que é um vapor alemão de passageiros, em viagem para Nova York. Na Sala Marconi, perplexos, os telegrafistas acabam de ouvir o capitão ordenar pedido de socorro a todos os navios. Os dedos nervosos de Phillips acionam o manipulador. O primeiro a responder é o alemão Frankfurt, do Norddeutscher Lloyd: está na escuta e logo chamará de volta. O La Provence, da Compagnie Generale Transatlantique, e o Mount Temple, da Canadian Pacific, copiam a mensagem, também ouvida na estação Marconi de Cape Race. A bordo, os passageiros circulam como sonâmbulos, e tal atmosfera de irrealidade se adensa quando, por ordem do capitão, o conjunto de Wallace Hartley começa a tocar peças do ragtime na sala de estar da Primeira Classe, entre elas “Alexander’s Ragtime Band” e “Great Big Beautiful Doll”. Mais tarde, vai transferir-se para o convés dos barcos, tocando junto à porta de bombordo da grande escadaria da proa.
0h:17min
Nova mensagem do Titanic a todos os navios
0h:18min
O código de emergência é ouvido pelo Ypiranga, da Hamburg-Amerika Linie. O Frankfurt comunica que se encontra a 283km.
 0h:20min
Andrews é um altruísta, não é em vão que, dos oficiais aos carvoeiros, todos os tripulantes o estimam, e sendo o construtor do navio, mais aguda se torna sua angústia. Andrews pede que Etches o acompanhe ao convés C e confira cabine por cabine, avisando que os coletes salva-vidas se encontram na prateleira superior do roupeiro. Etches desce e no caminho vê o comissário McElroy em sua sala, cercado de homens e mulheres. São passageiros da Primeira Classe em busca de jóias e valores em depósito.
0h:25min
No Carpathia, da Cunard, navegando de Nova York para Gibraltar e comandado pelo Capitão Arthur Rostron, o telegrafista Harold Cottam, ainda ignora o que aconteceu com o Titanic, e antes de desligar o aparelho e ir dormir, resolve alertá-lo que copiou mensagens de Cape Race. Nos minutos seguintes outros navios chamarão, mas, à exceção do Mount Temple, a 90km, estão distantes: o Birma, da Russian East Asiatic, 130km, o Virginian, da Allan Line, 315km, e o Baltic, da White Star Line, a 450km. O Titanic apresenta forte inclinação para frente e para bombordo, mas os passageiros, simplesmente, negam o que seus olhos vêem. Se nem Deus consegue afundar este navio, por que um magote de gelo sujo o conseguiria? O Capitão Smith ordena finalmente: todos, sem precipitação, preparem-se para abandonar o navio. Primeiramente, mulheres e crianças. O embarque de estibordo começa a ser coordenado por Murdoch, o de bombordo, por Lightoller.
0h:26min
Boxhall deixa sobre a mesa de Phillips um papel com a nova posição calculada do Titanic.
0h:30min
No convés C, os comissários McElroy e Barker ainda atendem ansiosos passageiros que exigem a devolução do que guardaram. Mais uma vez, o Californian tenta em vão contatar pela lâmpada Morse com o navio parado. No Mount Temple, de Antuérpia para Nova York, o Capitão Moore ordena que o navio, em sua velocidade máxima de 11,5 nós siga na direção do Titanic.
0h:34min
Phillips faz contato com o Olympic, comandado pelo Capitão Haddock, a 926km de distância. O Capitão Haddock desvia o curso, mas para chegar à zona do naufrágio precisa navegar 23 horas. O Carpathia está a 91km de distância. Sua velocidade de cruzeiro é de 14,5 nós. O Capitão Rostron manda imprimir pressão total às caldeiras. A calefação é desligada, para que todo o vapor produzido se destine aos motores, e o velho navio agora avança à velocidade jamais experimentada de 17,5 nós. Contudo, não espera alcançar o Titanic antes das quatro horas da manhã.
0h:40min
Murdoch e Lightoller organizam o embarque na penumbra, sob a supervisão de Wilde. Não é permitido que os homens se aproximem. Os emigrantes compreendem, finalmente, que precisam abandonar as cabines e os pertences: a água avança. Quando começam a subir, encontram as portas dos conveses superiores fechadas e vigiadas por tripulantes que só permitem a passagem das raras mulheres e crianças que se apresentam. Aos homens, é assegurado que está vindo uma embarcação para socorrê-los.
0h:45min
Murdoch, auxiliado por McElroy, Ismay e Pitman, arria de estibordo o Standard 7 com apenas 28 pessoas (16 homens e 12 mulheres = 03 tripulantes e 25 passageiros da Primeira Classe), sob o comando do vigia Hogg. Phillips, por sugestão de Bride, emprega pela primeira vez o novo código SOS. As luzes do navio desconhecido ainda promovem esperanças, e os timoneiros Rowe e Bright, orientados por Boxhall, iniciam o lançamento dos foguetes de sinalização, oito ao todo, com intervalos de aproximadamente cinco minutos. Os foguetes sobem a mais de 24m e explodem em 12 estrelas brancas. No Californian, tripulantes observam foguetes, e o aprendiz de oficial James Gibson, informa o Capitão Lord. Vistos à distância, não se elevam a grande altura e não produzem nenhum som. O capitão conclui que são fogos festivos. Outro tripulante os confunde com estrelas cadentes.
0h:50min
Em seu alojamento, o Capitão Lord comunica-se pelo tubo com o Segundo Oficial Stone, na sala de navegação. Quer saber se o navio iluminado está mais perto. O outro informa que não e acrescenta que o mesmo está lançando foguetes, mas não responde à lâmpada e agora já se afasta. O capitão vai dormir.
0h:52min
O mecânico Gill, no Californian, viu os primeiros foguetes e desconfia de que o navio tem problemas. Como é apenas um trabalhador da casa de máquinas, não lhe corresponde fazer observações marítimas e menos ainda comunicá-las ao capitão, guarda para si a suspeita.
0h:53min
Lowe e Pitman tratam do embarque no Standard 5. A operação é demorada, os tripulantes não têm familiaridade com os turcos e Ismay atrapalha com ordens absurdas. Lowe perde a paciência e o interpela: - Quer que eu lance o barco mais depressa? Quer que afogue a todos? Se parar de me infernizar posso fazer o que precisa ser feito. O dono do navio não retruca e se afasta. Murdoch ordena que Pitman assuma o comando do Standard 5.
0h:55min
Lightoller arria de bombordo o Standard 6, com 27 pessoas (03 homens e 24 mulheres = 02 tripulantes, 24 passageiros da Primeira Classe e um da Terceira Classe), sob o comando do timoneiro Hichens. O bote desce e, sete metros abaixo, na altura do convés C, Hichens grita, reclamando que precisa de um navegador. O Major Peuchen adianta-se e revela a Lightoller sua condição de iatista. O oficial, aferrado ao propósito de embarcar apenas mulheres, crianças e remadores, resmunga que se Peuchen é de fato um homem do mar, deve agarrar um cabo e descer por ele. Os 52 anos do major não se intimidam. Ele se pendura e desliza até o bote. É o seu 28º ocupante. Murdoch e Lowe arriam de estibordo o Standard 5 com 39 pessoas (15 homens, 23 mulheres e uma criança = 03 tripulantes e 36 passageiros da Primeira Classe), sob o comando de Pitman.
1h:00min
Lightoller manda o marujo Samuel Hemming, trazer as lanternas de emergência, ainda guardadas. Tardia providência, três botes já foram lançados sem luz e outros ainda o serão, antes que as lanternas apareçam. Na proa, a água cobre a inscrição com o nome do navio. Phillips envia nova mensagem ao Olympic, indicando a posição e frisando que o navio bateu no gelo. A banda continua tocando. Murdoch e Lowe arriam de estibordo o Standard 3, com 48 pessoas (23 homens, 24 mulheres e uma criança = 10 tripulantes e 38 passageiros da Primeira Classe), sob o comando do marujo Moore. Sir Cosmo Duff Gordon encosta em Murdoch e, referindo-se ao Cúter 1, pergunta se pode tomá-lo com sua esposa, o oficial autoriza. Wilde organiza embarque no Standard 8, auxiliado por Gracie. Isidor Strauss traz a esposa, Rosalie. No último instante, da retrocede, não quer tomar o bote, sem seu marido Isidor, que recusa embarcar antes dos outros homens, o coronel e outros não conseguem persuadi-la.
1h:10min
Arriado o Cúter 1, com apenas 12 pessoas onde cabem 40 (10 homens e duas mulheres = 07 tripulantes e 05 passageiros da Primeira Classe). A operação é na área de Murdoch, mas quem a procede são tripulantes que, ato contínuo, pulam para o bote, provavelmente em decorrência de entendimento prévio com Sir Cosmo. O comando é do vigia Symons. Wilde arria de bombordo o Standard 8 com 39 pessoas (04 homens e 35 mulheres = 04 tripulantes e 35 passageiros da Primeira Classe), sob o comando do marujo Thomas Jones. O mar desborda a sexta antepara. A terceira sala das caldeiras, no meio do navio, está inundada. Alguns fornalheiros fugiram, um pequeno grupo ficou para trás e é alcançado pela água. Wilde já se ocupa do Standard 10. Com o navio adernando para bombordo, o bote pendurado afasta-se mais de meio metro do convés.
1h:15min
Pronuncia-se a inclinação do navio para bombordo. Indignado, Andrews exige dos oficiais que os botes sejam arriados com lotação completa. Murdoch manda que o Standard 9 seja carregado no convés A, cujas aberturas, nesta seção, não dispõem de telas.
1h:17min
Phillips renova o pedido de socorro a todos os navios.
1h:20min
Phillips repete sem cessar a mensagem de CQD. O navio, agora, aderna para o outro lado, mas em minutos tornará a pender para bombordo: com a água a irromper por todos os caminhos dos conveses inferiores. As portas do convés dos barcos que dão para as escadarias foram fechadas para evitar que a invasão dos passageiros da Terceira Classe venha a tumultuar o embarque. Tripulantes controlam a multidão, permitindo tão-só a passagem das mulheres e crianças que se apresentam. Wilde arria de bombordo o Standard 10 com 54 pessoas (07 homens, 42 mulheres e 05 crianças = 05 tripulantes e, em maioria, passageiros da Segunda Classe), sob o comando do marujo Edward Buley. Murdoch arria de estibordo o Standard 9, com 56 pessoas (16 homens, 38 mulheres e duas crianças = 08 tripulantes e, em maioria, passageiros da Segunda Classe), sob o comando do contramestre Haines.
1h:25min
Wilde, auxiliado por Grade, arria de bombordo o Standard 12 com 42 pessoas (03 homens, 37 mulheres e duas crianças = dois tripulantes e, em maioria, passageiros da Segunda Classe), sob o comando do marujo Frederick Clench. Enquanto o bote desce, o 43º passageiro: é o britânico Gus Cohen, da Terceira, que pula do convés, tombando sobre a também britânica Lutie Parrish, da Segunda, e ferindo-lhe o tórax e a perna. Arriado por Murdoch do convés A de estibordo o Standard 11, com 70 pessoas (12 homens, 51 mulheres e 07 crianças = 09 tripulantes e, em maioria, passageiros da Segunda Classe), sob o comando do timoneiro Sidney Humphreys. Lightoller arria de bombordo o Standard 14 com 63 pessoas (11 homens, 41 mulheres e 11 crianças = 08 tripulantes e, em maioria, passageiros da Segunda Classe), sob o comando do Oficial Lowe.
1h:30min
Benjamin Guggenheim retoma à cabine para trocar de roupa e se prepara para afundar como cavalheiro. Os passageiros da Terceira Classe forçam a porta de uma das escadarias, invadindo o convés dos barcos. Entre eles, inúmeras mulheres e crianças. Os homens portam punhais, facas, porretes, e lutam com a tripulação para abrir caminho. Segundo o Dr. Dodge, que ainda está a bordo, alguns são mortos a tiros. Em meio ao tumulto, o Capitão Smith é visto caminhando no convés A em estado de choque, ignorando o que acontece à sua volta.
1h:31min
Do Titanic para o Olympic: Casa de máquinas inundada.
1h:33min
No mar, os botes se distanciam lentamente do Titanic para evitar a sucção do afundamento. No Cúter 1, o Money Boat, lançado há meia hora, os tripulantes perdem o senso de direção: remam diretamente para um grupo de luzes até perceber que são as do navio que afunda.
1h:35min
Murdoch arria do convés A de estibordo o Standard 13, com 64 pessoas (21 homens, 35 mulheres e 08 crianças = 06 tripulantes e, em maioria, passageiros da Terceira Classe), sob o comando do fornalheiro-chefe Barrett. Trinta segundos após o lançamento do 13, Murdoch arria do convés de estibordo o Standard 15, com 70 pessoas (29 homens, 35 mulheres e 06 crianças = 05 tripulantes e, em sua maioria, passageiros da Terceira Classe), sob o comando do fornalheiro Frank Dymond. Enquanto Rowe lança o oitavo e último foguete, Lightoller, auxiliado por Moody, arria de bombordo o Standard 16, com 56 pessoas (06 homens, 45 mulheres e 05 crianças = 06 tripulantes e, em sua maioria, passageiros da Terceira Classe), sob o comando do mestre-de-armas Joseph Bailey. Gritos no convés de bombordo, é Wilde defendendo o Cúter 2. A estibordo, tiros: é Murdoch, já menos complacente, a impedir que um grupo de homens ocupe o Dobrável C.
1h:37min
Do Baltic para o Titanic: Estamos correndo em sua direção.
1h:40min
Wilde arria de estibordo o Dobrável C, com 69 pessoas (17 homens, 38 mulheres e 14 crianças = 05 tripulantes e, em maioria, passageiros da Terceira Classe), sob o comando do timoneiro Rowe. A descida é acidentada. Aderna tanto o navio para bombordo que o bote roça várias vezes no costado, correndo o risco de ter as bordas de lona rasgadas pelas cabeças dos rebites. Os homens, manejando os remos contra o casco, conseguem mantê-lo afastado. Do Titanic para o Birma: Afundando rapidamente. Passageiros nos botes.
1h:45min
Wilde arria de bombordo o Cúter 2, com 25 pessoas (06 homens, 15 mulheres e 04 crianças = 04 tripulantes e, em maioria, passageiros retardatários da Primeira Classe), sob o comando de Boxhall, que porta alguns foguetes de sinalização. Do Titanic para o Carpathia, última mensagem que este copia: Venha logo. Sala de máquinas inundada acima das caldeiras.
1h:47min
O Caronia ouve o Titanic, mas os sinais são fracos, indecifráveis.
1h:48min
O Asian tenta retomar contato, igualmente sem resultado.
1h:50min
Lightoller trabalha no retardado carregamento do Standard 4. Astor auxilia Madeleine e, observando que há lugares vagos, pergunta se pode acompanhar a esposa grávida, o acesso a ele é negado.
1h:55min
Lightoller, finalmente, arria de bombordo o barco atrasado, o Standard 4, com 40 pessoas (07 homens, 26 mulheres e 7 crianças = 7 tripulantes e, em esmagadora maioria, passageiros da Primeira Classe), sob o comando do timoneiro Walter Perkis. Sobram 25 lugares neste barco reservado para a elite e nem um só é oferecido às 56 crianças da Terceira Classe que vão morrer em meia-hora.

13 de abril de 2015

EVENTOS EM 13 DE ABRIL DE 1912

EVENTOS EM 13 DE ABRIL DE 1912 


08h:30min
Anunciado o desjejum.
09h:00min
Mensagem recebida informa que o Rappahannock, da Furness Withy Line, de Liverpool, sofreu danos no leme ao cruzar campo de gelo.
10h:30min
Inspeção do capitão e auxiliares. Da casa de máquinas, Bell comunica: o fogo está extinto, mas uma das paredes da carvoeira, que é também uma antepara, foi afetada. Tamanho é o calor lá embaixo que os homens trabalham seminus e numa atmosfera densa de pó de carvão.
12h:00min
O Titanic nas últimas 24h, deixou para trás 835 km com tempo claro, limpo e mar sereno, mas avisos sobre gelo, comuns nesta época, são recebidos. Os passageiros reportam o mínimo de barulho ou vibrações no navio. Com as 24 principais caldeiras ativadas, avança a 21 nós.
13h:00min
Anunciado o almoço.
16h:35min
Mensagem do Californian, da Leyland Line, comandado pelo capitão Stanley Lord. Reporta que o Caronia, da Cunard, sob o comando do Capitão Barr, acusa icebergs na latitude 42° Norte e longitude 40°51’ Oeste.
18h:00min
Anunciada a janta. No salão da Primeira Classe, o médico de bordo, William O’Loughlin, faz um brinde ao Titanic.
20h:00min
Abertura do restaurante à la carte.
22h:30min
O Titanic cruza com o Rappahannock, e este, que não dispõe de radiotelegrafia, alerta pela lâmpada Morse: "Passamos por gelo pesado e diversos icebergs". O Titanic responde: "Mensagem recebida. Muito obrigado. Boa noite". Adiante, o navio enfrenta dez minutos de densa neblina.

12 de abril de 2015

EVENTOS EM 12 DE ABRIL DE 1912

EVENTOS EM 12 DE ABRIL DE 1912

08h:30min
Anunciado o desjejum.
10h:30min
Inspeção do capitão e auxiliares. Na Sala Marconi, ele ouve o telegrafista ler mensagem do La Touraine, da Compagnie Generale Transatlantique, congratulando-se com a viagem inaugural e alertando para a presença de gelo à frente. À tarde, Phillips e Bride receberão inúmeras mensagens do mesmo teor. Uma delas dirá que o Corsican, da Allan Line, colidiu com um iceberg e foi obrigado a seguir para St. John, na Terra Nova.
12h:00min
O Titanic percorre 778,75 km com tempo claro e limpo. Para passar o tempo alguns passageiros se divertem dançando a o som da melhor banda do Atlântico, outros fazem apostas sobre a data de chegada do Titanic em Nova Iorque. Ismay havia dito que seria na quarta-feira pela manhã, mas alguns oficiais diziam que terça-feira a noite seria mais provável. O incêndio está quase dominado. De suas 24 caldeiras com dois terminais, 23 estão em ação.
13h:00min
Anunciado o almoço.
18h:00min
Anunciada a janta.
20h:00min
Abertura do restaurante à la carte. O telégrafo apresenta problemas, obrigando Phillips e Bride à suspensão temporária do tráfego

11 de abril de 2015

EVENTOS EM 11 DE ABRIL DE 1912

EVENTOS EM 11 DE ABRIL DE 1912


06h:00min

Diariamente abertura da piscina térmica, no convés F, so­mente para homens. Após as 9h:00min, para ambos os sexos. Atualizam-se os instrumentos de navegação. De madrugada, o capitão fez exercícios com o navio, avaliando sua capacidade de manobra.
08h:30min
Desjejum até 10h:30min. Os passageiros aproveitam o bom tempo para caminhar e conhecer o navio. Alguns da Primeira Classe descem ao tombadilho, mas não conversam com aqueles que viajam nos conveses inferiores, nada têm a dizer a pessoas de inferior condição. Eles freqüentam aquela área aberta aos pobres tão só para passear com seus cachorros.
10h:30min
Inspeção do capitão, acompanhado do engenheiro-chefe Joseph Bell, do comissário-chefe McElroy e do camareiro-chefe Latimer. Também inspecionam o navio Andrews e os técnicos do Guarantee Group. A tripulação cumprimenta o telegrafista Phillips, que está de aniversário. Simulada uma situação de emergência com um sinal de sino e o fechamento das portas estanques. Pouco depois, aproxima-se o navio-guia e transfere-se para bordo o prático do porro de Queenstown.
11h:30min
O navio lança âncora em Queenstown, a quatro quilômetros do porto. É a última escala antes da travessia oceânica. Ismay discute com o engenheiro Bell, quer sua anuência para que o navio, já na segunda-feira, empregue a velocidade máxima, de modo que possa chegar a Nova York na terça-feira, dia 16. Se a pressa se relaciona com o recorde da travessia, é um despropósito. A possibilidade de que o Titanic venha a superar a marca de 1909, pertencente ao Mauretania, da Cunard, é igual a zero.
12h:00min
Parte de Nova York o Carpathia, da Cunard, para Gibraltar.
12h:30min
Almoço até 14h:30min. As barcaças America e Ireland trazem sete passageiros da Segunda Classe e 113 da Terceira, além de 1.385 pacotes de correspondência postal. Desembarcam sete da Primeira Classe: o seminarista jesuíta Francis Browne e seis membros de uma família. Um fornalheiro, John Coffey, natural de Queenstown, esconde-se numa das barcaças e deserta do navio. Entre passageiros e tripulantes, encontram-se a bordo 2.208 pessoas. Jornalistas vêm conhecer o Titanic e um deles fotografa o Capitão Smith e o comissário McElroy. O convés A é visitado por comerciantes e Astor adquire para Madeleine uma jóia no valor de 800 libras. Quando os comerciantes se retiram, ocorre algo inusitado: um fornalheiro com o rosto negro de fuligem olha para eles da boca da quarta chaminé, que é falsa. Algumas mulheres interpretam a aparição como um mau presságio.
13h:15min

O seminarista Browne, na barcaça, tira uma fotografia do Capitão Smith debruçado na amurada da asa da ponte: é a última do comandante. Também são de Browne as raras fotos tiradas a bordo e a derradeira do navio. Na popa, o irlandês Eugene Daly, da Terceira Classe, despede-se de seu país tocando a canção Lamento de Erin em sua gaita de foles.
13h:30min
O Titanic levanta âncora rumo a Nova York e é seguido por um bando de gaivotas, atraídas por restos de comida despejados no mar pelos duros de esgoto. Minutos depois, breve parada para o transbordo do prático. Retomando o curso, passa tão perto de um pesqueiro francês que os pescadores são banhados pelas ondas do sulco da proa. Eles acenam e o navio responde com um apito. Nas horas seguintes, navegando a 19,5 nós, ultrapassará o cabo Kinsale e, a menos de dez quilômetros da costa, pelo canal São Jorge, será visto por inúmeras pessoas, imagem que jamais esquecerão. Inclina-se ligeiramente para bombordo, por obra da grande quantidade de carvão retirada do depósito de estibordo, na tentativa de apagar o incêndio. Comentários dos fornalheiros indicam que as mangueiras d'água têm pouca pressão.
18h:00min

Anunciada a janta.
20h:00min

Abertura do restaurante à la carte.

10 de abril de 2015

EVENTOS EM 10 DE ABRIL DE 1912


EVENTOS EM 10 DE ABRIL DE 1912




05h:17min
O sol nasce em Southampron. Começam a chegar os tripulantes que dormiram em casa.
06h:00min
Embarca Andrews, ocupando sua cabine a A36.
07h:30min
Embarca o capitão para sua última viagem antes da aposentadoria e recebe o boletim de navegação do Chefe dos Oficiais, Wilde. Os outros oficiais assumem suas funções. No cais, uma multidão de marujos se aproxima do navio, na esperança de conseguir trabalho em sua viagem inaugural. Parte da estação Waterloo, em Londres, rumo ao porto de Southampton, o trem da London & South Western Railway, trazendo os passageiros da Segunda e Terceira Classes. Entre os da Segunda, os oito músicos da banda liderada por Wallace Hartley.
08h:00min
A tripulação é passada em revista pelo capitão e autoridades do comércio marítimo. Já se encontra a bordo o prático George Bowyer. É realizado um exercício com os botes salva-vidas. Infelizmente isto é feito somente em dois botes, o nº. 11 e 15 de estibordo.
09h:00min
Parte da estação Waterloo o trem que conduz para Southampton os passageiros da Primeira Classe e alguns da Segunda.
09h:30min
Chega ao porto em sua limusine Daimler o diretor de operação da WSL, Bruce Ismay, com o mordomo John Frye o secretário William Harrison. Vai ocupar as cabines B-52-54-56. A família não o acompanha. Chega também o trem da Segunda e Terceira Classes. Os passageiros da Terceira, na maioria são emigrantes. São embarcados somente após a inspeção sanitária.
09h:40min
Parte de Paris o Train Transatlantic, levando para Cherbourg os passageiros que, à noite, embarcarão no Titanic.
10h:00min
Embarca, ocupando a cabine D-56 da Segunda Classe, o professor Lawrence Beesley, que ainda em 1912 publicará a memória The Loss of the Titanic.
11h:00min
Chega ao porto o trem londrino da Primeira Classe. Traz passageiros afamados pela riqueza ou suas atividades, que logo embarcam.
11h:30min
Cerca de 50 pessoas cancelam suas reservas pouco antes da partida. Uma delas é J. Pierpont Morgan, titular da IMM. Afortunados membros da tripulação não embarcam, licenciados ou por não se apresentarem, ou por se apresentarem fora do horário.
12h:00min
As poderosas sirenes do Titanic sãoaccionadas, avisando de sua eminente partida. Todos que não fazem parte da tripulação nem dos passageiros começam a desembarcar. Muitos passageiros nesta fatídica viagem deveriam estar a bordo do Oceanic e do Adriatic, mas foram transferidos para o Titanic devido à greve dos carvoeiros. Os vigias perguntam a Lightoller pelo binóculo que usaram de Belfast para Southampton e depois foi recolhido. O segundo oficial responde que não há nenhum disponível. Ninguém sabe onde Blair o guardou e ninguém com autoridade toma a iniciativa de mandar procurá-lo. Na proa, Wilde e Lightoller. Na popa, Murdoch. No topo do mastro, a bandeira vermelha e branca, sinal de que o prático orienta o leme. O capitão ordena a partida.

12h:15min

O navio levanta âncora e, após apitar três vezes, afasta-se do cais puxado por cinco rebocadores, entre eles o Vulcan. Já propulsionado por seus motores, desce o canal de Southampton. O destino é Nova York, com escalas em Cherbourg e Queenstown, na República da Irlanda. Perto da embocadura do rio Test, a sucção de seu poderoso deslocamento, o chamado "efeito canal", faz balançar o vapor New York, que rebenta seis cabos de amarração de 15cm de diâmetro e se movimenta, com a popa em sua direção. O Titanic reverte os motores, mas a colisão é iminente. No derradeiro instante, é evitada pelo Vulcan, que alcança um cabo da embarcação à deriva e a sustenta. A popa do New York deixa de abalroar o casco do Titanic por escasso 1,20m. O prático é apenas um auxiliar, não comanda. Quem comanda é o Capitão Smith, e o incidente com o New York, somado à colisão entre o cruzador Hawke e o Olympic, também sob seu comando, sugere sua inaptidão para manobrar navios de maior porte - isto sem contar seu lastimável histórico de acidentes marítimos. Ainda não foi debelado o incêndio na carvoeira. Tamanho é o descaso do capitão em relação à grave ocorrência que nem ao menos manda registrá-la no diário de bordo.

13h:00min
O Titanic reinicia sua viagem em direção a Cherbourg. A gata Jenny, considerada um membro da tripulação e aos cuidados de um ajudante de cozinha, dá à luz: é uma grande ninhada de gatinhos. O prático desembarca.
13h:30min
O corneteiro Peter Fletcher, anuncia a tardia abertura do horário de almoço com acordes de melodia. Os salões de refeição permanecem abertos até as 14h30min.
15h:45min
Os passageiros do Train Transatlantic, vindos de Paris, desembarcam na gare marítima de Cherbourg. Anunciado o atraso do Titanic.
17h:30min
Finalmente o Titanic chega a Cherbourg, França, a apenas 38 km de distância através do Canal da Mancha. Os passageiros começam a ser embarcados nos barcos que os levarão ao Titanic.
18h:00min
Hora do jantar, que se estende até 19h30min.
18h:30min
Chega o navio a Cherbourg. Suas dimensões não permitem que se aproxime do pequeno cais e ele ancora ao largo. O transporte entre o porto e o navio está a cargo de barcaças da WSL, que também segregam as classes sociais: na Nomadic, Primeira e Segunda Classes, na Traffic, Terceira Classe e malas postais. Na próxima hora e meia, desembarcam 20 passageiros da travessia Southampton-Cherbourg e embarcam 274 novos passageiros.
20h:00min
Os novos passageiros já estão instalados e as barcaças retomam ao porto. O restaurante à la carte abre suas portas para quem o prefira ao salão de refeições do navio. Permanecerá à exclusiva disposição da Primeira Classe até as 23h00min. 
20h:10min
O Titanic levanta âncora rumo a Queenstown. Vai atravessar novamente o canal da Mancha e contornar a costa sul da Inglaterra. Prossegue o incêndio na carvoeira. Nesta aproximada hora, no Atlântico, menos de 200 km ao norte da rota do Titanic, o vapor francês Niagara bate num iceberg, que lhe deforma o casco abaixo da linha d'água, e emite pelo radiotelégrafo a mensagem de CQD. As seqüelas do acidente não são fatais para o navio, que demanda ao porto antes da chegada de socorro. É a primeira de uma série de colisões com gelo nos próximos dias. O inverno nas latitudes setentrionais não foi muito severo. Grande quantidade de gelo se desprendeu da calota polar e, à deriva, segue para o sul.
 

1 de abril de 2015

Eventos de 1912 a 2012

1913
Em Abril é criada nos Estados Unidos a Patrulha Internacional do Gelo, para actuar no Atlântico Norte sob a supervisão da Guarda Costeira. Em Junho, Ismay, que desde o ano anterior vem sendo alvo de execração pública, perde suas posições de mando na White Star Line e na International Mercantile Marine e reduz sua vida social. Na International Mercantile Marine, cede seu lugar a Harold Sanderson, o mesmo executivo que o substituiu em 2 de Abril de 1912, quando o Titanic partiu de Belfast para Southampton. A polonesa Leah Aks dá à luz uma menina e, desejando homenagear o Capitão Rostron, chama-a Sarah Carpathia Aks. As freiras do hospital, ao preencher o registro de nascimento, enganam-se, registrando a menina como Sarah Titanic Aks.

1914
Em Fevereiro, a White Star Line lança o Gigantic, mas, para evitar alusões ao tamanho do navio e ao destino do Titanic, rebaptiza-o: é o Britannic, que também terá vida breve. Um incêndio no Estúdio Eclair, nos Estados Unidos, destrói o filme Saved from Titanic, de 1912.

1915
Lançado na Itália o filme Titanic, em preto-e-branco, silencioso, com direcção de Pier Angelo Mazzolotti. A 7 de Maio, o Lusitania, da Cunard, é afundado por um submarino alemão no litoral da Irlanda. A 1 de Setembro, o Olympic é requisitado pelo Almirantado Britânico para o transporte de tropas. No dia 24, deixará Belfast para exercer a nova actividade, sob o comando do Capitão Bertram Hays, e passará a ser chamado HMT Olympic (His Majesty's Transport).

1916
O Britannic, a serviço da marinha inglesa, afunda no mar Egeu ao bater numa mina alemã. Morrem 30 pessoas, a maioria nos botes salva-vidas, sugados pelas hélices. Entre os sobreviventes, a agora enfermeira Violet Jessop, que, além de salvar-se no naufrágio do Titanic, também estava a bordo do Olympic, quando este colidiu com o cruzador Hawke.

1918
Em Maio, o Olympic, dotado de canhões, é atacado por um submarino alemão. O torpedo falha. O Olympic responde e põe a pique a belonave inimiga. Alguns dos tripulantes do submarino sobrevivem e são recolhidos pelo contratorpedeiro norte-americano US Davis. Em Novembro, com a rendição da Alemanha, o navio é devolvido à White Star Line, que modifica sua motorização para o emprego de óleo combustível.

1924
O Olympic, sob o comando do Capitão J. Howarth colide com um navio menor, o Fort St. George, no cais 59 do porto de Nova York.

1929
Em Novembro, a crise bancária nos Estados Unidos é relacionada com o afundamento do Titanic. Lançado na Inglaterra o filme Atlantic, em preto-e-branco, com direção de Ewald André Dupont e duração de 90 minutos. Reconstitui a tragédia com personagens de ficção. O Capitão Rostron publica o livro Home from the Sea.

1932
Lady Duff Gordon publica suas memórias, Discretions and Indiscretions, em que evoca sua experiência no Titanic. Morre em Nova York, aos 65 anos, Margaret Brown.

1934
O Olympic colide com o navio-farol Nantucket. A Cunard se associa à White Star Line. A nova companhia passa a chamar-se Cunard White Star. Pouco depois a absorve. Violet Jessop publica a memória Titanic Survivor.

1935
A 12 de Abril, o RMS Olympic, o “Velho Confiável” retoma a Southampton, após sua última viagem a Nova York. Fez 500 travessias do Atlântico. A 13 de Outubro, ruma para o estaleiro, em Belfast, onde suas peças mais valiosas são vendidas para residências, hotéis e museus.

1937
Após viver muitos anos em reclusão, morre Ismay, aos 74 anos. A 19 de Setembro, aquilo que resta do RMS Olympic começa a ser desmontado e vendido como ferro-velho.

1941
Durante um ataque aéreo alemão a Belfast, uma bomba atinge o estaleiro Harland & Wolff, destruindo as plantas originais do Titanic.

1943
Lançado na Alemanha, em preto-e-branco, o filme Titanic, com direção de Werner Klingler e Herbert Selpin e duração de 85 minutos. A maior parte da película foi rodada a bordo do transatlântico Cap Arcona, ancorado no porto de Gdingen, no mar Báltico. Goebbels proíbe a exibição e ordena o recolhimento do negativo e suas cópias, redescobertas somente após o fim da guerra.

1945
A 30 de Janeiro, torpedeado por um submarino soviético S-13, naufraga o navio alemão Wilhelm Gustiloff, com um passivo incerto entre 5.000 e 9.000 mortos. É a maior tragédia marítima da história.

1955
Walter Lord publica o clássico A Night to Remember.

1958
O Quarto Oficial Boxhall actua como conselheiro no filme de Roy Baker, A Night to Remember (Somente Deus por testemunha, já lançado em DVD no Brasil).

1980
Em Julho e Agosto, a bordo do H.J.W.Fay, expedição do milionário norte-americano Jack Grimm, com cientistas do Scripps lnstitute of Oceanography e do Lamont-Doherty Geological Observatory, tenta localizar, sem êxito, os restos do Titanic.

1981
Em Junho, a bordo do Gyre, novo fracasso de Jack Grimm.

1983
Em Julho, frustra-se a terceira e última expedição de Jack Grimm.

1985
De 9 de Julho a 7 de Agosto, a bordo do Le Surôit, a expe­dição franco-norte-americana liderada pelo Dr. Robert Ballard (Woods Hole Oceanographic Institution) e Jean-Louis Michel (Institute Français de Recherches pour l'Exploitation des Mers - IFREMER) procura o ponto do naufrágio, delimitando uma área de 260km². As operações são suspensas devido ao mau tempo. Os mesmos investigadores retomam ao Atlântico Norte, em expedição que começa a 22 de Agosto e termina a 4 de Setembro. Operando um sonar e o submergível não tripulado Argo, dirigido por controle remoto e dotado de câmara de vídeo que transmite as imagens por um cabo de fibra ótica, Ballard explora 80% da área anteriormente delimitada e, à uma hora da madrugada de 1º de setembro, descobre os restos do Titanic a quase quatro kilometros de profundidade, 560km a sudeste de Terra Nova e a 1.600km de Nova York. A primeira visão de Ballard é uma das caldeiras. Os detritos se espalham em área de 2,6km². A pressão, nessa profundidade, é de 400kg por cm².

1986
A 13 de Julho, no Atlantis II, o Dr. Ballard retoma ao mar e, com o pequeno submarino Alvin, procede ao primeiro mergulho tripulado às ruínas do Titanic. O submarino abriga três tripulantes, que operam por controle remoto o minúsculo robô Jason Junior. Preso a um cabo de 76m, o robô dispõe de holofotes, máquina fotográfica e câmara de vídeo, e explora o interior do navio, tanto a secção da proa como a da popa. A expedição encerra-se a 24 de Julho, após 11 mergulhos. O congresso norte-americano aprova a Lei Memorial do Titanic, visando a preservação de seus restos.

1987
A 22 de Julho, cientistas do IFREMER, patrocinados por empresas norte-americanas e a bordo do Nadir, mergulham no submergível Nautile, que opera o robô Robin. Em sete semanas, realizam 32 mergulhos e recolhem 1.800 objectos do Titanic. Empresários interessados na preservação dos restos do navio fundam a RMS Titanic Inc., que em cooperação com o IFREMER procede a uma nova expedição ao Titanic. Entre 1987 e 1996, 5.000 objectos serão resgatados e preservados. A 20 de Dezembro, o navio de passageiros Dona Paz colide com um petroleiro nas Filipinas, vitimando 4.300 pessoas. É a maior tragédia marítima da história da navegação comercial.

1991
A IMAX Corporation, de Nova York, associada ao Instituto Oceanográfico P. P. Shirsov, de Moscou, filma o Titanic, realizando estudos biológicos e recolhendo amostras da metalurgia do casco. A expedição observa a acção predadora dos exploradores submarinos em busca de troféus, que modificaram o cenário do naufrágio. Realiza-se em Paris uma exposição dos objectos recolhidos do navio.

1994
Realiza-se em Londres, no National Maritime Museum, uma grande exposição, com objectos retirados do navio entre os anos 1987 e 1993 e a presença de passageiros do Titanic, entre eles Edith Eileen Brown, que em 1912 tinha 15 anos, e Eva Hart, que tinha sete, sobreviventes no Standard 14.
1996
IFREMER & RMS Titanic Inc. procedem a uma expedição fotográfica ao exterior e ao interior do navio. Tentam resgatar, sem êxito, uma parte do casco pesando 11 toneladas.
1997
Elizabeth Millvina Dean, a mais jovem sobrevivente do Titanic (Standard 10), retoma ao local do naufrágio como passageira do Queen Elizabeth II. Lançado nos Estados Unidos, o filme Titanic, com direcção de James Cameron e duração de 194 minutos. O filme é o primeiro a passar a barreira de 1.8 bilhões de dólares facturados mundialmente.

1998
Localizada na Alemanha, em poder de um coleccionador, cópia do filme In nacht und eis, de 1912. Originalmente com 30 minutos, na versão restaurada passou a ter 35 minutos. IFREMER & RMS Titanic Inc., em nova expedição liderada por George Tulloch, recolhem 20 toneladas de peças do casco do Titanic, que são carregadas no navio Abeille.

2001
Em meio a grande controvérsia pública, os norte-americanos David Leiboweitz e Kimberley Miller casam-se no fundo do mar, a bordo de um submarino, na vizinhança da sepultura do Titanic.

2002
Morre em Nova York, aos 84 anos, o escritor Walter Lord, autor do clássico A night to remember. O bebê desconhecido adoptado pela tripulação do Mackay-Bennett é identificado pela tecnologia DNA. Ele se chamava Eino Viljam Panula, nascido a 10 de Março de 1911, na Finlândia, e viajava na Terceira Classe do navio, com a mãe, Maria Panula, e dois irmãos pequenos, para encontrar o pai nos Estados Unidos. Todos pereceram no naufrágio.

2004
O Dr. Ballard retoma ao Titanic, 19 anos após sua descoberta, para chamar a atenção sobre os prejuízos sofridos pelos restos do navio com as visitas de exploradores pouco criteriosos.

2006
Morre em Massachusetts, aos 99 anos, a sobrevivente americana do Titanic, Lillian Gertrud Asplund. Restam apenas duas sobreviventes do naufrágio do Titanic, e ambas vivem na Inglaterra: Barbara Joyce West, de 95 anos e Elizabeth Gladys "Millvina" Dean, de 94 anos.

2007
Morre aos 96 anos, em uma casa de repouso em Camborne, Inglaterra, Barbara West Dainton, uma das duas últimas sobreviventes do naufrágio do Titanic. Barbara Dainton morreu em 16 de Outubro, mas sua morte somente foi divulgada dia 8 de Novembro. Elizabeth Gladys "Millvina", de Southampton, Inglaterra, que tinha 2 meses de idade no dia do naufrágio, é agora a única sobrevivente restante do desastre, de acordo com a Sociedade Histórica de Titanic.

2009
Morre aos 97 anos, em um asilo de Hampshire, no sudeste da Inglaterra, a última sobrevivente do naufrágio do Titanic, Millvina Dean. Em 1912, a família de Millvina Dean, que era um bebê de dois meses na época, emigrava para os Estados Unidos e seguia a bordo do navio. Millvina Dean morreu no dia 31 de maio, e suas cinzas foram jogadas ao mar no porto de Southampton, Inglaterra, no dia 24 de Outubro.

2010
Uma bactéria até então desconhecida foi encontrada nos destroços do navio Titanic. Os destroços estão sendo devorados pelas bactérias e já não pode ser mais salvos. Os cientistas dizem que as bactérias corroem a ferrugem e o ferro tão rápido que o grande navio de 50.000 toneladas, poderá decompor-se completamente dentro de 15 a 20 anos.

2012 - Afunda-se no Mediterrâneo o navio de passageiros Costa Concordia tornando inevitável a alusão aos 100 anos do Titanic. O filme Titanic de James Cameron é lançado em 3D. O produtor reúne-se com os principais especialistas para discutir novamente o naufrágio, chegando a conclusões que mudariam a forma como actualmente vemos os seus momentos finais. Sai uma série para tv de quatro episódios chamada Titanic Series de Julian Fellowes sendo reconhecida mundialmente pela sua qualidade. O milionário australiano Cleave Palmer anuncia que vai lançar o Titanic 2, idêntico ao primeiro mas mais seguro e moderno, contudo o projecto não sairia do papel.

Fonte: Titanic Fans

Eventos 1,2,3 de Abril de 1912

Resumo dos acontecimentos ocorridos  nos dias 1,2,3 de Abril de 1912

1 de Abril, após entregar o comando do Olympic, chega a Belfast o Capitão Smith. O Titanic está pronto junto à doca de Thompson, preparado para za
rpar para as suas provas de mar. Ventos fortes adiam os testes marítimos para o dia seguinte. 
Às 10:00 horas, do dia 2 de Abril, puxado por rebocadores, o navio deixa a doca no rio Lagan e, por seus próprios meios, navega no lago de Belfast, que tem 20km de comprimento e entre 5 e 8km de largura. Ali começam a ser testados os equipamentos, a velocidade até 20 nós e manobras e paradas com reversão de motores. Às 14:00 horas, o navio avança para o mar da Irlanda, à velocidade de 18 nós (33,3km/h), prosseguindo os exercícios, e em duas horas retoma a Belfast. O período de testes dura menos do que um dia. O supervisor do Board of Trade, Francis Carruthers, procede à inspeção do navio, e uma empresa londrina ajusta as bússolas para operações em mar aberto. É o dia da partida para Southampton. Encontram-se a bordo, além de outros 112 tripulantes, oito oficiais (Comodoro Edward Smith, Chefe dos Oficiais William Murdoch, 1º Oficial Charles Lightoller, 2º Oficial David Blair, 3º Oficial Herbert Pitman, 4º Oficial Joseph Boxhall, 5º Oficial Harold Lowe, 6º Oficial James Moody). O presidente da Harland & Wolff, Lorde Pirrie, não comparece por motivo de saúde, está com pneumonia. Em seu lugar, embarca o engenheiro Andrews, acompanhado de oito técnicos do estaleiro, o chamado Guarantee Group, que deverá avaliar o desempenho do Titanic e sugerir alterações. O diretor de operações da White Star Line, Bruce Ismay, também não embarca, devido a compromissos familiares, e é substituído por outro executivo da empresa, Harold Sanderson. Às 18:00 horas, o Titanic é puxado pelos rebocadores Herald (proa de bombordo), Haskinson e Herculaneum (costados de bombordo e estibordo), e Horbury (proa de estibordo), ao longo do rio Lagan e do lago de Belfast. Perto da cidade de Carrickfergus, na embocadura do lago, os rebocadores se afastam, e o navio, conduzido pelos timoneiros Alfred Nichols, e Albert Haines, e ainda sob inspeção, navega até o mar da Irlanda, retoma ao lago de Belfast e, parando, recebe de Carruthers o certificado: "Bom por um ano a partir de 2 de abril de 1912". Às 20:00 horas, parte o Titanic para cobrir 917km até Southampton, principal terminal dos vapores da WSL desde 1907. Quem o comanda é o Capitão Charles Bartlett, Superintendente de Marinha da White Star Line.
No dia 3 de abril, o tempo estava bom, fazia frio enquanto o Titanic atravessava o canal de São Jorge. Entre 4:00 e 6:00 horas, enfrenta espessa neblina. Servido o café da manhã: frutas frescas e tomates, omelete, mingau de aveia, batata sauté, filé recheado, rolos de arenque defumado, guizado de frango com agrião, bolinhos fritos de cevada, presunto, salsichas, ovos quentes ou fritos. Nas profundezas do navio, a atmosfera não é tão amena. Abrasa-se o carvão no depósito de estibordo da sexta sala de caldeiras e o fogo se alastra. Carvoeiros e fornalheiros começam a agir, retirando-o e molhando-o. Ao meio-dia, o navio contorna Land's End, extremo ponto sudoeste da Inglaterra. Na Sala Marconi, atrás da primeira chaminé, o telegrafista John Phillips e seu assistente Harold Bride, procedem aos ajustes finais do equipamento, com uma chamada geral. Surpreendentemente, respondem uma estação de Tenerife, a quase 4.000km de distância, e outra de Port Said, a mais de 5.000km. A noite, perto da ilha de Wight, ao largo de Southampton, encontra-se o navio com a embarcação do prático do porto, George Bowyer, que se transfere para bordo. Pouco antes da meia-noite, o Titanic chega a Southampton, atracando no cais 44 da White Star Line. Os rebocadores Hector, Ajax, Hércules e Netuno, da Red Funnel Line, aproximam o navio do cais, puxando-o pela popa. Por causa da greve dos carvoeiros, iniciada seis semanas antes, há numerosos vapores inativos, entre eles o New York, da American Line, que em breve será protagonista de um ominoso incidente.