19 de janeiro de 2015

A LENDA DA MÚMIA

A LENDA DA MÚMIA 

Os mistérios e tragédias relatadas passam por quando a dita múmia do museu foi encontrada por quatro jovens exploradores em 1890, antes que estes a transportassem para a Inglaterra morreram todos em vários acidentes. Contudo, ela acabou por ser transportada para terras de sua Majestade como aqui contado a pedido de um determinado milionário que a comprou, mas meses depois, de forma misteriosa suicidou-se. Um jornalista, Douglas Murray, sabendo dos seus mistérios, fotografou-a e quando fez a revelação da foto, surgiu a foto demoníaca de uma mulher, poucos dias depois o mesmo jornalista morreu de acidente de carro. 
A 30 de Setembro de 1916, um artigo no Ligths contém uma carta de Miss E. Bates, que disse que quem lhe contou algumas destas desgraças foi Douglas Murray, uma das "vítimas" da maldição. Em 1928 a autobiografia de William John Warner também mostra as mesmas informações que o actor contou durante entrevistas pessoais com Douglas Murray. Mas como, em menos de quatro anos, a lenda de que um sarcófago amaldiçoado que estava a bordo do Titanic foi o culpado do naufrágio? Vimos como o interesse de William T. Stead pelo sarcófago do Museu Britânico pode ter criado uma "associação mental" entre as duas situações nas cabeças das pessoas que sobreviveram. Curiosamente, há uma excelente prova de que em algum momento entre 1912 e 1916, uma certa pessoa fez esta "associação mental" e criou conscientemente a lenda de que o túmulo de uma múmia amaldiçoada estava a bordo do Titanic. A autobiografia de Peter Underwood (conhecido investigador britânico do paranormal) explica como ela conheceu "a pequena grande dama" Margaret Murray, uma mulher que teria levado uma vida muito interessante. A "pequena grande dama" viveu para ver a publicação da sua autobiografia "My First Hundred Years", e a sua vida, descrita por Underwood "continha desde viagens espaciais a dias de bicicleta no passado." Ela conseguiu o seu doutoramento num tempo em que as mulheres que conseguiam alcançar esse feito, eram consideradas bruxas. Margaret também se interessava por egiptologia e passou grande parte do seu tempo no Egipto; Peter Underwood uma vez viu uma fotografia de 1908 (a deste post), em que Margaret (a mulher da direita) mostrava a autópsia a uma múmia. 
Margaret Murray sempre insistiu que foi ela quem criou a história da múmia do sarcófago amaldiçoado a bordo do Titanic.
Murray disse certa vez a Underwood que uma ilustre mulher cientista lhe confessou que já tinha acreditado no ocultismo, e lhe pediu para contar a "verdadeira história" do sarcófago amaldiçoado do Museu Britânico. Margaret decidiu então que, se ela queria uma boa história, tinha vindo ao lugar certo; dando vazão à sua veia artística e humoristica, Margaret Murray começou por inventar uma história emocionante para o deleite desta "ilustre cientista". Começou por dizer que nem começaria por enumerar os que tinham ficado feridos no transporte do caixão para o Museu Britânico nem as lesões e mortes de visitantes e funcionários do museu enquanto o sarcófago estava em exposição. Ele disse que o pessoal do museu ficou tão alarmado com esses percalços que substituíram o sarcófago original por uma réplica. Ninguém notou nada de anormal até que um arqueólogo americano detectou a substituição e ameaçou denunciar a fraude. O museu explicou o motivo da substituição e um americano, Lord Canterville, rindo-se com a superstição e o pitoresco da situação, ofereceu-se para comprar o sarcófago original. O Museu aceitou a oferta e o novo proprietário decidiu que o sarcófago seria transportado no Titanic para a América, mas ele não iria a bordo. Depois que o Titanic afundou, o túmulo flutuou à superfície sendo recuperado por um navio de socorro próximo ao local, e que levou a relíquia para os Estados Unidos, esperando por instruções do seu proprietário, ainda na Inglaterra. Mas agora, com medo do artefacto e da sua "má sorte", o proprietário ordenou que este fosse devolvido ao Museu Britânico. Colocaram a relíquia a bordo do Empress of Ireland, que afundou no Canadá com grande perda de vidas. Mais uma vez o sarcófago flutuou e foi recuperado. Depois, um alemão o teria comprado em leilão e deu-o ao Kaiser detonando a Primeira Grande Guerra Mundial.
Margaret disse a Underwood que sentia que tinha criado uma história muito boa. E que se divertiu contando-a a outros como se fosse verdade. Murray acrescentou que, quando ela levou os alunos ao Museu Britânico para estudar os hieróglifos sempre avisou que qualquer crente no ocultismo devia permanecer fora da sala que continha o sarcófago; inevitavelmente, muitas pessoas acreditavam na história de Margaret e a oportunidade de inspeccionar o antigo sarcófago era prontamente recusada.
A lenda da maldição do Titanic ainda permanece forte depois de mais de um século, mas como podemos ver é apenas isso, uma lenda.
Fonte: TitanicFans

13 de janeiro de 2015

O MITO DA MÚMIA

A MÚMIA DO TITANIC III

Um dos mitos mais difundidos do Titanic é que a bordo estava uma múmia egípcia amaldiçoada e que fez com que o navio dos sonhos afundasse. Nestes próximos dois posts vamos encerrar este tema, e que é, como muitas outras coisas famosas sobre o Titanic, uma lenda. 
Esta lenda foi lançada por William T. Stead (na foto), passageiro do Titanic, jornalista e entusiasta do oculto e do espiritualismo. Stead tinha mostrado grande interesse sobre a múmia "maldita" do British Museum. Durante a noite de 12 de Abril de 1912, vários passageiros começaram a contar histórias de fantasmas na sala de fumar de primeira-classe, e uma dessas histórias inspiraram o jornalista a contar aos seus companheiros sobre a história da múmia amaldiçoada. Ele chegou a dizer que qualquer um que conte a história teria um fim terrível. Frederic Seward, um dos poucos ouvintes que sobreviveram ao naufrágio recusou-se a repetir a história da maldição para não abusar da sorte.
A lenda não demorou muito até se propagar. Quatro anos após o naufrágio, a história de que o desastre do Titanic foi causado por uma múmia amaldiçoada já se encontrava generalizada.
Um artigo de Marion Ryan em 27 de Agosto de 1916, no jornal Weekly Dispatch menciona o depoimento de Sir Wallis Budge de que a suposta múmia do Museu Britânico nunca tinha existido. Budge também negou os boatos de que o museu tinha vendido o suposto artefacto a um milionário americano que o fazia transportar para os Estados Unidos a bordo do Titanic. Ele acrescentou:
"O cerne de todos estes contos de fadas é isto. Temos o sarcófago que já conteve a múmia de uma sacerdotisa do Egipto, que pode ou não ter cometido más acções na sua vida. De alguma forma estranha surgiu um boato acerca de duas múmias que foram trazidas para Inglaterra por pessoas sem ligação ao museu e que estariam relacionadas ao sarcófago da Sacerdotisa. Uma dessas múmias pertencia ao Sr. Ingram, e esteve no Museu Britânico temporariamente para uma exposição antes de ser vendida pelo seu proprietário a uma Sra de nome Meu. Havia lendas que esta múmia exercia uma energia negativa e que chegou a fazer com que várias pessoas entrassem em colapso nas suas vidas, mas tal nunca se verificou. A outra múmia foi levada para a Inglaterra por um inglês rico. Essa múmia nunca esteve no Museu Britânico, mas durante a sua estadia na Inglaterra contaram-se histórias de que algumas pessoas foram alvo de catástrofes estranhas e terríveis sob a sua influência. Estas tragédias ocorreram tantas vezes e de forma tão misteriosa que pareciam ir além de meras coincidências, e o proprietário da múmia não quis tê-la por muito tempo, por isso, fez vários acordos para a levar de volta a Tebas e enterrá-la. Estes acordos foram realizados durante o tempo suficiente para que a múmia da grande sacerdotisa pudesse ficar com a autoria das lendas. Estas histórias da sua maldição, que gradualmente se foram enraizando, estranhamente se relacionaram com o sarcófago do Museu."
(continua...)